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NATAL LIGHT
Eu normalmente não gosto do Natal, acho uma festa super baixo-astral. Uma série de coisas tristes se misturam em uma única data, pelo menos essa é a minha visão. Pra começar, o Natal acontece no fim do ano, o que significa que é o fim de um ciclo. É quando as coisas terminam.

Depois, tem o stress de final de ano. Aquela loucura de comprar presente pra todo mundo. Supermercado cheio, Shoppings lotados. Consumismo. O Natal virou um grande negócio. Odeio isso. Odeio presentes. Odeio Papai Noel. Bolas, cadê o verdadeiro significado da festa? Porquê não comemoramos o nascimento de Jesus, porque não refletimos sobre nossas vidas, nossos atos, sobre o ano que passou? Porquê não confraternizamos, não organizamos cultos, não explicamos às nossas crianças o significado divino desta data? Nós nos perdemos em meio à tanta aparência, tanto egoísmo e mesquinharia. Porquê não abandonamos aquelas idéias importadas de colocar neve de algodão em nossos pinheiros ou comer nozes e castanhas, o que está absolutamente fora de nossa realidade?
Mas vamos ao que interessa - a culinária Natalina. Este é um outro motivo pelo qual eu odeio o Natal. A gente só pensa em comida. Na minha casa, costumávamos reunir toda a família no Natal, em redor de um banquete imenso, variado. A família foi aumentando, e o banquete também. E vieram os filhos, depois os netos, depois os bisnetos de minha avó. São quatro gerações que insistem em fazer permanecer a tradição de reunir a numerosa família na noite do dia 24 de dezembro, comendo, bebendo, trocando presentes. Essas festas sempre me deixaram muito irritada e ansiosa. Eu sempre comi demais em ceias de Natal. Pra mim, os dias que antecediam o Reveillon eram de muita ressaca alimentar. Pra quê isso?
Este Natal, meu pai está de resguardo, ele precisa descansar. Minha mãe já falou que não quer tirá-lo de casa, nem quer tumulto, pois ele está bastante cansado. A ceia será leve. Não haverá doces nem comidas pesadas. É franguinho assado, uma salada enorme, e um arroz. De sobremesa, frutas. Acabou a comilança. Também não poderemos comprar presentes. Combinamos todos de ninguém dar presente pra ninguém. Estamos sem tempo e sem dinheiro. Meu pai já falou que não é só porque é Natal que precisamos comprar coisas caras e desnecessárias para presentear parentes. Ninguém precisa de presente de Natal.
Aleluia!!! Minhas preces foram atendidas. Nessa confusão toda, acabei ganhando dois super presentes de Natal. Além de um pai com o coração novinho em folha, ganhei um Natal bonito e significativo. Finalmente, depois de 26 Natais submersos em futilidades, comemorarei um Natal verdadeiro, celebrando a renovação da vida, a vitória da virtude, a capacidade de conquistar meus sonhos.

Este ano foi um ano difícil, mas foi tudo de bom. Descobri que posso ter mais auto estima. Fiz grandes amigas no Brasil inteiro através deste meu bloguinho. Consegui dar um rumo na minha vida. Emagreci bastante, me sinto mais bonita, mais confiante e mais preparada pra encarar o mundo. Descobri que não preciso tanto de comida o quanto eu imaginava. Descobri que o mundo tem muito mais a oferecer do que um churrasco, batata frita, cerveja, vodka e uma carteira de Malboro.
ESTE ANO EU FINALMENTE TEREI UM FELIZ NATAL.
Escrito por Linda às 14h23
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